Postagens

Filme do Dia: Nogent, Eldorado du Dimanche (1929), Marcel Carné & Michel Sanvoisin

Imagem
  N ogent, Eldorado du Dimanche (França, 1929). Direção Marcel Carné & Michel Sanvoisin. Primeiro filme de Carné, este curta tido como perdido por muito tempo bebe em ao menos três fontes bastante influentes nos anos anteriores: o cinema de montagem soviético; o próprio cinema francês, sob a forma do simbolismo que influenciou fortemente a montagem vanguardista soviética e as “sinfonias urbanas”, que muitas vezes faziam uso de uma montagem dinâmica, seja em sua completa extensão (caso de O Homem com a Câmera ) ou pelo menos em segmentos de sua extensão, como é o caso deste curta. Que simula uma chegada féerica à cidade a partir do trem, segmentado em vários motivos, detém-se mais demoradamente em um baile as margens de um rio, entrevisto em suas janelas. Este vem a ser o tema do seu próximo motivo, o rio, e sobretudo inicialmente os que praticam remo nele, em meio à pequena multidão que vem usufruir do lazer em um provável domingo. Mas logo voltando sua lente para os que simp...

Filme do Dia: Brasil (1981), Rogério Sganzerla

Imagem
  B rasil (Brasil, 1981). Direção e Montagem Rogério Sganzerla. Fotografia Renato Laclette. Neste curta cuja sonoridade quase única é da música, Sganzerla parece voltar a um retorno nostálgico aos tempos da Política Boa Vizinhança (a música, utilizada no curta homônimo, Aquarela do Brasil , originalmente grafada somente como o filme do Sganzerla, só que com Z, e provavelmente como o tema musical é conhecido nos Estados Unidos) e sua fixação de boa parte da vida, Orson Welles. A ponte entre os tempos da Boa Vizinhança e o do curta é João Gilberto interpretando Aquarela . E ele remonta visualmente também a imagens próximas do imaginário da época, como a de Jacaré sendo recebido por Vargas, mas também umas poucas imagens, de apoio ou jornalísticas do It’s All True de Welles (à época, ainda não redescoberto e transformado em material de apoio a um novo documentário de idêntico título). E é sob chave semelhante que Sganzerla filma algumas de suas próprias imagens, como a do Cristo ...

O Dicionário Biográfico de Cinema#317: Billy Crystal

Imagem
  Billy Crystal , Long Beach, N. York, 1947 A indústria do cinema gosta de Billy Crystal. Ele é naturalmente divertido, e particularmente bom em piadas sobre o mundo do entretenimento, como convém a uma criança que cresceu no "entretenimento". Não é ameaçador, tem seu charme e é um ator decente, ainda que nunca esteja tão relaxado do que quando fazendo stand-up . Além do que, em tempos recentes,  é conhecido por ser de longe o melhor, e mais insinuante, apresentador do programa dos Oscars na televisão. Mas Crystal passou dos 50 e nunca teve um filme de sucesso que ficou para ele sozinho. Ele tentou arduamente ( Mr. Saturday Night / Mr. Saturday Night - A Arte de Fazer Rir , ao qual dirigiu, foi emblemático demais para ser pretensioso?) Ou é que sua facilidade não pode ser traduzida ela própria para a vida real? Há algo na inclinação de sua cabeça e na tensão de seus olhos que não consegue esconder o fato de que uma piada está a caminho. A partir do humor stand-up , passou a i...

Filme do Dia: O Amor é Estranho (2014), Ira Sachs

Imagem
O Amor é Estranho ( Love is Strange , EUA, 2014). Direção: Ira Sachs. Rot. Original: Ira Sachs & Mauricio Zacharias. Fotografia: Christos Voudouris. Montagem: Affonso Gonçalves & Michael Taylor. Dir. de arte: Amy Williams & Steve Grise. Cenografia: Kendall Anderson. Figurinos: Arjhun Basin. Com:  John Lithgow, Alfred Molina, Tatyana Zbirovskaya, Olya Zueva, Jason Stuart, Darren E. Burrows, Marisa Tomei, Charlie Tahan, Eric Tabach. Ben Hull (Lithgow) e George Garea (Molina) se casam após 20 anos de relacionamento em comum, inclusive boa parte dele vivendo juntos. Porém, o casamento resulta na demissão de George da escola católica que era o sustentáculo da vida do casal. Enquanto Ben vai viver com um sobrinho Elliott (Burrows) e sua esposa Kate (Tomei) e o filho do casal Joey (Tahan), George é acolhido por um casal de policiais gays. Em ambos os casos a situação é tensa. Ben provoca ou testemunha situações do tipo com a família do sobrinho. George se sente incomodado pelo...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#143: Héctor Babenco

Imagem
  BABENCO, HÉCTOR . (Brasil/Argentina, 1946). Um dos primeiros realizadores sul-americanos a tornar sua marca global. Seu terceiro longa, Pixote, a Lei do Mais Fraco  (Brasil, 1980) que ganhou os prêmios tanto da Associação de Críticos de Nova York quanto de Los Angeles de Melhor Filme em Língua Estrangeira; seu quinto, primeiro filme em língua inglesa, hollywoodiano, Kiss of the Spider Woman  ( O Beijo da Mulher Aranha , 1985), foi indicado para quatro Oscars, incluindo o de Melhor Diretor; e este e os dois filmes seguintes estiveram em competição no Festival de Cannes. Héctor Eduardo Babenco conquistou uma reputação por realizar filmes acessíveis ao público e também socialmente conscientes que examinam as vidas de marginais. Também é conhecido como um bom diretor de atores, com William Hurt vencendo o Oscar de Melhor Ator por seu papel em O Beijo da Mulher Aranha   e muitos outros atores receberam indicações e prêmios pelas obras de Babenco, incluindo 19 atores em ...

Filme do Dia: Anniversary (2024), Logan James Seth

Imagem
  A nniversary (EUA, 2024). Direção Logan James Seth. Um casal festeja eu quarto aniversário de casamento em meio a um ataque nuclear que começa a ocorrer nos Estados Unidos. Quem disse que a paranoia com relação ao fim dos tempos associado ao ataque nuclear era coisa dos tempos do material exposto no documentário Café Atômico ? Não deixa de ser problemático que poucos filmes contemporâneos  independentes ou estudantis não o façam com mais frequência. E mais problemático ainda quando os filmes que são feitos apenas sinalizam, infelizmente, para o patético. Como é o caso em questão. |4 minutos.

Filme do Dia: Uma História Interessante (1904), James WIlliamson

Imagem
  U ma História Interessante ( An Interesting Story , Reino Unido, 1904). Direção e Rot. Original: James Williamson. Homem atrapalhado se vê metido em confusões desde o momento que senta à mesa para o café da manhã e despeja o leite e o café em seu próprio chapéu, enredando-se em meio a corda que as crianças pulam, abalroando um burro e sendo xingado pelo dono desse e chegando a ser vítima do rolo compressor de uma máquina, que literalmente o amassa, fazendo com que dois ciclistas que testemunharam o acidente, a partir de suas bombas de bicicleta, voltem a enchê-lo de ar. Williamson, conhecido por tentar extrair efeitos cômicos a partir de situações inusitadas,   mesmo não conseguindo atingir o mesmo resultado provocativo de seus melhores filmes, que refletem sobre a própria natureza de filmar (como é o caso de The Big Swallow ), ao menos apresenta – e com uma perícia surpreendente para o período –, com bastante graça, uma situação que se tornará lugar-comum na animação co...